A província do Niassa é uma subdivisão de Moçambique, situada no extremo noroeste do país. Tem capital na cidade de Lichinga. É a maior província de Moçambique em termos de área — 129 056 km² — e, de acordo com os resultados preliminares do censo de 2017, uma das menos povoadas — 1 865 976 habitantes —, com terreno acidentado, baixa densidade populacional e ricos recursos naturais.
A província está dividida em 16 distritos e, desde 2022, possui seis municípios.
Em língua cinianja, “Niassa” significa “lago”.
A Província do Niassa destaca-se como uma das regiões mais ricas em recursos naturais, biodiversidade e potencial agrícola de Moçambique. A província é habitada por vários grupos etnolinguísticos, cada um com os seus hábitos, costumes, danças e formas próprias de expressão cultural.
História
O território da actual província foi administrado entre 1890 e 1929 (e, juntamente com o território da actual província de Cabo Delgado), pela Companhia do Niassa. A província foi formada a partir do distrito do Niassa do período colonial
No período colonial, foi construído um ramal de caminho de ferro até Vila Cabral, como se chamava nessa altura a capital do então distrito do Niassa, e, já nos últimos anos, como forma de apoio à guerra colonial, uma estrada alcatroada de cerca de 40 km. O colonato que se instalara na então Nova Madeira era composto por agricultores pobres, que pouco contribuíram para o desenvolvimento da região.
Depois da Independência Nacional, em 1975, foi feito algum esforço para “recolonizar” a província, especialmente com a denominada Operação Produção, que levou milhares de pessoas para os campos da província, mas sem o sucesso desejado. Na década de 1990, foi inclusive firmado um acordo entre os governos de Moçambique e da África do Sul, o programa MOSAGRIUS, que previa o financiamento para a instalação de farmeiros boers no Niassa, permitindo, assim, a reforma agrária naquele país. No entanto, a guerra dos 16 anos, que afectou profundamente a província, impediu o desenvolvimento efectivo.
A seguir ao Acordo Geral de Paz, em 1992, houve algumas iniciativas importantes, nomeadamente a concessão da Reserva do Niassa a uma empresa privada, a instalação duma Faculdade de Agronomia da Universidade Católica de Moçambique em Cuamba, a maior cidade da província. Neste momento, a rede viária, apesar de rudimentar, já permite a ligação efectiva entre os vários distritos.
Governo
Até 2020, a província era dirigida por um governador provincial nomeado pelo Presidente da República. No seguimento da revisão constitucional de 2018 e da nova legislação sobre descentralização de 2018 e 2019, o governador provincial passou a ser eleito pelo voto popular, e o governo central passou a ser representado pelo Secretário de Estado na província, nomeado e empossado pelo Presidente da República.
Governadores nomeados
- (1976-1983) Aurélio Benete Manave
- (1983-1984) Sérgio Vieira
- (1984-1987) Mariano Matsinha
- (1987-1995) Júlio Almoço Nchola (ou N’Tchola)
- (1995-2000) Aires Ali
- (2000-2005) David Simango
- (2005-2010) Arnaldo Bimbe
- (2010-2014) David Ngoane Malizane
- (2015-2018) Arlindo da Costa Chilundo
- (2018-2020) Francisca Domingos Tomás
Governadores eleitos
- (2020-) Judite da Rosa Victor Massengele. Eleita pelo Partido Frelimo
Secretários de estado
- (2020-2023) Dinis Chambiuane Vilanculo
- (2023-) Lina Maria da Silva Portugal
Línguas Faladas
Entre as principais línguas locais amplamente utilizadas nas comunidades destacam-se:
- Yao;
- Nyanja;
- Macua;
- Ngoni;
- Sena (em algumas zonas).
Hábitos e Costumes
Os costumes do Niassa variam de acordo com os grupos étnicos, mas muitos mantêm tradições ancestrais ligadas:
- Ao respeito pelos anciãos;
- À vida comunitária;
- Aos ritos de iniciação;
- Aos casamentos tradicionais;
- Às cerimónias culturais e espirituais.
Dança
Entre as danças tradicionais mais conhecidas destacam-se:
- Mapiko — dança tradicional ligada a rituais e máscaras culturais;
- Ingoma — dança associada a celebrações comunitárias;
Alimentação
Entre os alimentos mais consumidos destacam-se:
- Xima;
- Feijão;
- Mandioca;
- Peixe do Lago Niassa;
- Galinha caseira;
- Verduras locais.
Vestuário e Artesanato
Nas zonas rurais, ainda se preserva o uso de trajes tradicionais em cerimónias culturais. O artesanato local inclui:
- Cestaria;
- Esculturas em madeira;
- Esteiras;
- Instrumentos musicais tradicionais.
Apesar dos desafios associados à infraestrutura, ao acesso a serviços básicos e ao desenvolvimento económico, a província dispõe de condições favoráveis para crescer e contribuir significativamente para a economia nacional. Com investimentos adequados em estradas, educação, saúde, turismo e agricultura, Niassa pode transformar-se num importante polo de desenvolvimento sustentável no norte do país.
