A Província de Nampula ocupa uma posição estratégica no contexto territorial, demográfico, económico e sociocultural de Moçambique. Localizada na região norte do país e banhada pelo Oceano Índico, Nampula destaca-se pela sua elevada densidade populacional, pela diversidade cultural, pela importância histórica de alguns dos seus centros urbanos e pelo papel que desempenha na ligação entre o interior produtivo e os principais corredores logísticos nacionais e regionais. Com uma população estimada em cerca de 7 milhões de habitantes, dos quais uma parcela significativa é constituída por crianças, adolescentes e jovens, a província representa uma das maiores concentrações humanas do país, o que lhe confere grande relevância para a planificação do desenvolvimento social, económico e territorial.
A sua configuração territorial, com aproximadamente 81.606 quilómetros quadrados, combina zonas urbanas em expansão, áreas rurais de forte vocação agrícola, distritos costeiros com potencial pesqueiro e turístico, bem como importantes infra-estruturas de transporte, comércio e serviços. Entre os seus principais activos destacam-se a cidade de Nampula, enquanto capital provincial e centro administrativo, o Porto de Nacala, considerado um dos portos naturais mais profundos da costa oriental africana, e a Ilha de Moçambique, património histórico e cultural de referência nacional e internacional. Estes elementos reforçam a centralidade da província nos processos de integração económica, mobilidade populacional, circulação de mercadorias e atracção de investimentos.
Do ponto de vista económico, Nampula apresenta uma base produtiva diversificada, com destaque para a agricultura, a pesca, o comércio, a logística, o turismo, a mineração e os serviços. A produção de culturas alimentares e de rendimento, como mandioca, milho, amendoim, algodão, gergelim e castanha de caju, constitui uma componente essencial da economia local e da segurança alimentar. Ao mesmo tempo, a província enfrenta desafios estruturais importantes, associados à pressão demográfica, à necessidade de expansão das infra-estruturas sociais, ao acesso a serviços básicos, à melhoria da qualidade da educação e da saúde, à criação de emprego e ao reforço da resiliência das comunidades perante choques climáticos e económicos.
Neste contexto, a análise dos indicadores territoriais, socio-demográficos, educacionais, sanitários, económicos e produtivos da Província de Nampula permite compreender melhor a sua realidade actual, identificar tendências de desenvolvimento e apoiar a tomada de decisões públicas e privadas. Antes da leitura dos diferentes indicadores sectoriais, torna-se necessário situar geograficamente a província, compreender os seus limites, a sua inserção regional e a forma como a sua posição no território nacional influencia a mobilidade da população, a organização administrativa, a circulação de bens e o aproveitamento das oportunidades económicas. A secção seguinte apresenta, por isso, a situação geográfica de Nampula como ponto de partida para a interpretação integrada dos dados que compõem este perfil provincial.
História
A actual província descende das unidades territoriais coloniais criadas para administrar o território situado entre a Companhia do Niassa e o distrito de Quelimane. A primeira a surgir foi o distrito de Moçambique em 1896. O governo colonial apenas daria por terminada a ocupação efectiva do distrito (a sua parte ocidental) em 1913. Ao contrário dos outros territórios do norte da colónia, apenas a parte mais ocidental do distrito (Malema) foi invadida pelo exercito alemão durante a Primeira Guerra Mundial, com a excepção de uma pequena área do actual distrito de Moma. Em 1973 o distrito de Moçambique passa a chamar-se distrito da Ilha, o qual se tornará a província de Nampula em 1975.
Governo
Governadores
De 1974 a Janeiro de 2020 a província foi dirigida por um governador provincial nomeado pelo Presidente da República. No seguimento da revisão constitucional de 2018 e da nova legislação sobre descentralização de 2018 e 2019, o governador provincial passou a ser eleito pelo voto popular, e o governo central passou a ser representado pelo Secretário de Estado na província, que é nomeado e empossado pelo Presidente da República.
Governadores nomeados
- (1974) Armando Panguene
- (1975-1978) João Américo Mpfumo
- (1978-1980) Daniel Saúl Mbanze
- (1980-1986) Feliciano Salomão Gundana
- (1986-1988) Gaspar Mateus Zimba
- (1988-1900) Jacob Nyambir (ou Nhambir)
- (1990-1995) Alfredo Cepeda Gamito
- (1995-2000) Rosário Mualeia
- (2000-2005) Abdul Razak Noormahomed
- (2005-2006) Filipe Paúnde
- (2006-2012) Felismino Tocole
- (2012-2015) Cidália Manuel Chaúque
- (2015-2020) Victor Manuel Borges
Governadores eleitos
- (2020-) Manuel Rodrigues Eleito pelo Partido Frelimo
Secretários de Estado
- (2020-2023) Mety Oreste Gondola
- (2023-) Jaime Bessa Augusto Neto
Economia
A sua economia está essencialmente ligada à produção de castanha de caju, algodão, tabaco, pedras preciosas e outros minerais.
Subdivisões da província
Distritos
A Província de Nampula está dividida em 23 distritos, os 18 já existentes quando foi realizado o censo de 2007, mais os distritos de Ilha de Moçambique e Nampula, estabelecidos em 2013 para administrar as competências do governo central, e que coincide territorialmente com os municípios do mesmo nome, e os novos distritos de Larde e Liúpe. De notar que o distrito de Nampula-Rapale passou a designar-se como Rapale a partir da mesma altura:
- Angoche
- Eráti
- Ilha de Moçambique
- Lalaua
- Larde
- Liúpo
- Malema
- Meconta
- Mecubúri
- Memba
- Mogincual
- Mogovolas
- Moma
- Monapo
- Mossuril
- Muecate
- Murrupula
- Nacala-a-Velha
- Nacala Porto
- Nacarôa
- Nampula
- Rapale
- Ribáuè
Municípios
Nampula possui, desde 2022, oito municípios:
- Angoche (cidade)
- Ilha de Moçambique (cidade)
- Malema (vila)
- Monapo (vila)
- Mossuril (vila)
- Nacala Porto (cidade)
- Nampula (cidade)
- Ribaué (vila)
De notar que a vila de Ribaué se tornou município em 2008, a de Malema em 2013 e a Mossuril em 2022.



