O agronegócio constitui um dos principais pilares económicos da Zambézia, sustentado pela elevada disponibilidade de terras agrícolas, pela predominância da população rural e pelo peso expressivo da agricultura na economia provincial. De acordo com os indicadores macroeconómicos apresentados, a agricultura representa 32,6% do PIB provincial, valor superior ao peso nacional de 25,6%, confirmando a forte dependência da província em relação às actividades agro-pecuárias, pesqueiras e de transformação primária.
A base produtiva agrícola é diversificada e inclui culturas alimentares de grande escala, como mandioca, batata-doce, milho e feijões, bem como culturas com potencial comercial e agro-industrial. Em 2024, a mandioca atingiu 4 575 772 toneladas e a batata-doce 1 491 520 toneladas, ambas com crescimento de 8,8% face a 2023. O milho também aumentou, passando de 1 129 350 para 1 159 350 toneladas, enquanto os feijões e o amendoim registaram crescimentos moderados. Estes dados indicam que a produção agrícola da província tem capacidade para o abastecimento alimentar, a comercialização interna e a eventual transformação agro-industrial.
A pecuária complementa o agronegócio provincial, com crescimento significativo do efectivo animal entre 2023 e 2024. O gado suíno cresceu 157,0%; as aves aumentaram 50,9% e o gado caprino 36,4%, revelando expansão da produção animal e oportunidades para cadeias de valor ligadas à carne, ovos, processamento, abastecimento alimentar e pequenos negócios rurais. A pesca também integra a economia produtiva da província, embora os dados indiquem reduções na produção de peixe, camarão e caranguejo, com excepção da lagosta, cuja produção duplicou.
Apesar do potencial produtivo, o agronegócio enfrenta desafios associados ao escoamento, à conservação, à transformação local, ao acesso a mercados, ao financiamento e à vulnerabilidade climática. A dependência da rede rodoviária é elevada, pois produtos como mandioca, milho, batata-doce, feijões, pescado e efectivo pecuário necessitam de ligações eficientes entre zonas produtivas, centros de consumo e mercados. Neste contexto, a N1, a EN11 e as ligações distritais são fundamentais para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das cadeias agro-alimentares.
Os dados de investimento privado mostram, contudo, uma redução do número total de projectos, de 12 em 2023 para 10 em 2024, com uma queda acentuada na agricultura, de 7 para 2 projectos. Esta evolução sugere a necessidade de reforçar as políticas de atracção de investimento, o apoio à agro-indústria, a melhoria da logística e a valorização local da produção. A entrada de projectos na indústria transformadora em 2024 é relevante, pois pode indicar oportunidades de agregar valor à produção agrícola e de reduzir a dependência da venda de produtos em bruto.
Campanhas agrárias, 2023–2024
A tabela das campanhas agrárias evidencia a importância das culturas alimentares na estrutura produtiva da Zambézia. A mandioca e a batata-doce registaram os maiores aumentos relativos, ambos de 8,8%, reforçando seu papel na segurança alimentar e no abastecimento dos mercados locais. O milho, principal cereal apresentado, cresceu 2,7%, enquanto o amendoim e os feijões tiveram aumentos moderados. A mapira e a mexoeira apresentaram reduções leves, indicando a necessidade de acompanhamento das culturas menos dinâmicas.
| Produção (t) | 2023 | 2024 | Var. (%) |
| Milho | 1 129 350 | 1 159 350 | 2,7 |
| Mapira | 94 912 | 94 840 | -0,1 |
| Mexoeira | 10 930 | 10 915 | -0,1 |
| Oleaginosa (amendoim) | 200 107 | 203 708 | 1,8 |
| Mandioca | 4 204 412 | 4 575 772 | 8,8 |
| Batata-doce | 1 370 660 | 1 491 520 | 8,8 |
| Feijão-manteiga | 125 914 | 127 877 | 1,6 |
| Feijão-nhemba | 116 950 | 119 933 | 2,6 |
| Feijão-jugo | 28 545 | 28 997 | 1,6 |
Fonte: Direcção Provincial de agricultura e segurança alimentar
Desempenho do Sector Pecuário na Província da Zambézia
Entre 2023 e 2024, o efectivo pecuário da Província da Zambézia registou uma expansão generalizada em todas as categorias, evidenciando uma trajectória de crescimento consistente do sector no contexto do agronegócio provincial. Esta evolução reforça o papel estratégico da pecuária como complemento da produção agrícola, fonte de rendimento rural, pilar da segurança alimentar e base para o desenvolvimento de cadeias de valor associadas à produção, ao processamento e à comercialização de produtos de origem animal.
O crescimento mais expressivo ocorreu no segmento suíno, que passou de 187.932 para 482.992 cabeças, o que corresponde a uma variação de 157,0%. Este desempenho revela um elevado dinamismo, com forte potencial para impulsionar a oferta de carne, estimular a geração de rendimento e promover iniciativas de pequena e média escala ao longo da cadeia produtiva. Todavia, a magnitude desta expansão exige o reforço dos mecanismos de acompanhamento técnico, em particular no domínio sanitário e na adequação das capacidades logísticas.
A avicultura mantém-se como o principal segmento em termos absolutos, com um aumento de 4.130.039 para 6.232.205 unidades (50,9%). A sua relevância decorre da elevada capacidade de resposta à procura de proteína animal, contribuindo significativamente para o abastecimento de proteína animal e para a dinamização dos mercados locais e regionais.
No que respeita aos pequenos ruminantes, o efectivo caprino cresceu 36,4%, passando de 572.956 para 781.345 cabeças, enquanto o ovino registou um aumento de 21,8%, de 39.022 para 47.545 cabeças. Estas espécies assumem particular importância nos sistemas de produção familiar, dada a sua adaptabilidade às condições locais, as menores exigências de investimento e a função de reserva de valor para os agregados rurais. O gado bovino, por sua vez, apresentou um crescimento de 14,5%, atingindo 67.425 cabeças, mantendo-se essencial para a produção de carne, a tracção animal e a acumulação de capital produtivo.
Em termos globais, os dados evidenciam uma expansão robusta e transversal da pecuária provincial, com destaque para os segmentos suíno, avícola e caprino. Esta evolução abre oportunidades concretas para o fortalecimento das cadeias de valor, o aumento sustentável da oferta de proteína animal e a dinamização do investimento em serviços veterinários, conservação, transporte, processamento e comercialização.
A consolidação destes ganhos dependerá, contudo, de investimentos estruturantes em infraestruturas — nomeadamente energia, rede viária e acesso a mercados — bem como da melhoria dos serviços de apoio ao produtor, de forma a maximizar o contributo do sector para a geração de rendimento, a criação de emprego e o reforço da segurança alimentar na Província da Zambézia.
| Efectivo pecuário (und.) | 2023 | 2024 | Var. (%) |
| Gado bovino | 58 882 | 67 425 | 14,5 |
| Gado caprino | 572 956 | 781 345 | 36,4 |
| Gado ovino | 39 022 | 47 545 | 21,8 |
| Gado suíno | 187 932 | 482 992 | 157,0 |
| Aves | 4 130 039 | 6 232 205 | 50,9 |
Fonte: Direcção Provincial de agricultura e segurança alimentar
Produção Pesqueira na Província da Zambézia (2023–2024)
A produção pesqueira constitui um dos pilares da base produtiva da Província da Zambézia, beneficiando da sua extensa faixa costeira no Oceano Índico e do papel estratégico da pesca no abastecimento alimentar, no comércio local e nas cadeias de valor do agronegócio.
No entanto, os dados de 2023 a 2024 evidenciam uma evolução globalmente desfavorável na maioria das categorias, com reduções registadas no peixe, camarão, caranguejo e na aquacultura, em contraste com o crescimento observado apenas na lagosta.
O peixe mantém-se como o principal produto em volume, tendo diminuído de 98.377 toneladas em 2023 para 94.981 toneladas em 2024, o que corresponde a uma variação de -3,5%. Apesar de moderada, esta redução assume relevância económica e social, dado o papel central do peixe no consumo das famílias, no abastecimento dos mercados e na geração de rendimento para as comunidades ligadas à pesca artesanal e comercial.
As quedas mais acentuadas verificaram-se no caranguejo, cuja produção recuou de 961 para 335 toneladas (-65,2%), na aquacultura, que diminuiu de 604 para 403 toneladas (-33,3%), e no camarão, que passou de 1.542 para 1.163 toneladas (-24,6%). Estes resultados evidenciam a necessidade de reforço do acompanhamento do sector, incluindo aspectos relacionados com as condições de captura, conservação, fiscalização, acesso ao gelo, transporte, infraestruturas de apoio e capacidade de processamento, factores determinantes para a sustentabilidade e valorização da produção.
Em contraste, a lagosta apresentou um desempenho positivo, duplicando sua produção de 91 para 182 toneladas, o que equivale a um crescimento de 100,0%. Embora com menor expressão em volume, este resultado é relevante pelo elevado valor comercial do produto e pelo seu potencial de inserção em mercados mais especializados, o que sugere oportunidades para o fortalecimento da respectiva cadeia de valor.
No conjunto, a evolução da produção pesqueira confirma a importância estratégica do sector na economia provincial, ao mesmo tempo que evidencia desafios estruturais em termos de sustentabilidade, produtividade, conservação e escoamento. O reforço da articulação com infraestruturas essenciais — nomeadamente a rede rodoviária, a energia e a cadeia de frio —, bem como o estímulo ao investimento privado, serão determinantes para reduzir as perdas pós-captura, aumentar o valor acrescentado e melhorar a competitividade do sector, contribuindo de forma mais consistente para a segurança alimentar, o emprego e a diversificação da economia da Zambézia.
| Produção pesqueira | 2023 | 2024 | Var. (%) |
| Peixe | 98 377 | 94 981 | -3,5 |
| Camarão | 1 542 | 1 163 | -24,6 |
| Lagosta | 91 | 182 | 100,0 |
| Caranguejo | 961 | 335 | -65,2 |
| Aquacultura | 604 | 403 | -33,3 |
Fonte: Direcção Provincial de Agricultura e Pesca
Veículos automóveis registados, 2023–2024
O registo de veículos automóveis na Zambézia registou uma redução significativa entre 2023 e 2024. O total de registos passou de 207 para 138 unidades, o que corresponde a uma diminuição de 33,3%. Esta evolução indica uma contracção global no número de veículos registados, embora o comportamento varie de forma expressiva entre as diferentes categorias.
A única categoria com crescimento expressivo foi a das viaturas ligeiras, que aumentou de 47 para 84 unidades, o que representa uma variação positiva de 78,7%. Este comportamento pode sugerir maior procura por veículos de uso individual, institucional ou de serviços, em contraste com a redução observada nas restantes categorias de registo automóvel.
As maiores reduções ocorreram nos tractores, que passaram de 26 para 2 (-92,3%); nas máquinas, de 77 para 10 (-87,0%); nos motociclos, de 7 para 1 (-85,7%); e nos reboques, de 8 para 2 (-75,0%). As viaturas pesadas também diminuíram, embora de forma menos acentuada, passando de 42 para 39 unidades (-7,1%). Estas variações sugerem um menor registo de meios associados à produção, ao transporte de carga, a actividades agrícolas, a obras ou a serviços operacionais.
Para uma leitura rigorosa, importa considerar que os dados se referem a registos efectuados no período e não necessariamente ao parque automóvel total existente na província. Assim, a redução pode estar associada a factores como menor aquisição de veículos, alterações administrativas no processo de registo, menor investimento em equipamentos produtivos ou variações conjunturais na actividade económica. A queda nas categorias de tractores, máquinas e reboques merece acompanhamento, devido à sua possível relação com a dinâmica agrícola, logística e de infraestruturas.
| Designação | 2023 | 2024 | Var. (%) |
| Total de registo automóvel | 207 | 138 | -33,3 |
| Viaturas ligeiras | 47 | 84 | 78,7 |
| Viaturas pesadas | 42 | 39 | -7,1 |
| Tractores | 26 | 2 | -92,3 |
| Reboques | 8 | 2 | -75,0 |
| Motociclos | 7 | 1 | -85,7 |
| Máquinas | 77 | 10 | -87,0 |
Fonte: Direcção Provincial de Agricultura e Pescas
