Tuesday, July 21, 2026

Saúde

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Recursos do Serviço de Saúde, Província de Nampula, 2023/2024

Os recursos do serviço de saúde da Província de Nampula constituem uma dimensão essencial para avaliar a capacidade de resposta do sistema sanitário perante as necessidades da população. Num contexto marcado por elevada densidade demográfica, dispersão territorial, crescimento urbano e forte procura por cuidados materno-infantis, a disponibilidade de unidades sanitárias, hospitais, centros de saúde, camas hospitalares e profissionais de saúde é determinante para garantir o acesso efectivo aos serviços de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico.

A comparação entre 2023 e 2024 permite observar alterações na capacidade instalada e nos recursos humanos do sector. O ligeiro aumento do número de unidades sanitárias e centros de saúde indica expansão gradual da rede de atendimento, enquanto o crescimento do total de camas reforça a capacidade de internamento. Ao mesmo tempo, a evolução do pessoal de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, parteiras e outros profissionais, é fundamental para analisar a cobertura dos serviços, a qualidade do atendimento e a capacidade de resposta às principais necessidades sanitárias da província.

Estes indicadores são particularmente relevantes para a planificação pública, pois permitem identificar necessidades de investimento em infra-estruturas sanitárias, reforço de recursos humanos, melhoria da cobertura territorial e expansão dos serviços especializados. Para Nampula, onde a população jovem, as condições de vulnerabilidade social e os desafios de acesso aos cuidados de saúde exercem pressão sobre o sistema, a análise dos recursos disponíveis ajuda a orientar prioridades de intervenção, reduzir desigualdades no acesso e melhorar a prestação de cuidados às comunidades urbanas e rurais.

Descrição20232024Variação (%)
Unidades Sanitárias2482490,4
Hospitais10100,0
Centros de Saúde2202210,5
Postos de Saúde18180,0
Camas Total4 4315 14416,1
Camas Totais Maternidades1 4691 325-9,8
Outras Camas2 9623 81928,9
Pessoal do Serviço de Saúde9 78810 4887,2
Médicos1 7882 15920,7
Dentistas5452-3,7
Enfermeiros20923412,0
Parteiras1 2081 33210,3
Outros1 2021 43219,1

Fonte: Direcção Provincial da Saúde – Nampula

Principais Indicadores Demográficos, Província de Nampula, 2025

DescriçãoProvínciaNacional
Taxa de mortalidade infantil (por 1 000 nados-vivos)63,462,8
Esperança de vida à nascença (anos)57,356,5
Homens55,553,6
Mulheres59,059,5
Taxa bruta de mortalidade (por 1 000 habitantes)12,411,7
Taxa bruta de natalidade (por 1 000 habitantes)36,338,5
Taxa global de fecundidade (nº de filhos por mulher)4,94,8

Fonte: Instituto Nacional de Estatística, Projecções 2017 – 2050

Notas importantes:

Desafios sociais e de saúde afectam crianças e adolescentes em Nampula

A província de Nampula continua a enfrentar desafios sociais significativos, com impacto directo no bem-estar das crianças, adolescentes e famílias. Dados recentes indicam que cerca de 70% das crianças são afectadas pela pobreza multidimensional, situação que limita o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e nutrição.

O rápido crescimento populacional, a insuficiência de infra-estruturas, os choques climáticos e a expansão urbana desordenada estão entre os factores que agravam a vulnerabilidade das famílias na província. No sector da saúde, Nampula apresenta um dos rácios médico-população mais baixos do país, o que condiciona o acesso regular e atempado aos cuidados de saúde.

Na área materno-infantil, apenas 38% das mulheres grávidas realizam as consultas pré-natais recomendadas, enquanto pouco mais de metade dos partos ocorre com assistência qualificada. A província regista ainda uma taxa elevada de mortalidade infantil, estimada em 72 mortes por mil nascidos vivos, associada a complicações no parto, prematuridade, malária, diarreia e pneumonia.

As principais causas estão relacionadas ao saneamento precário, ao consumo de água insegura, à má nutrição e ao acesso limitado aos serviços de saúde. A situação das adolescentes também preocupa: cerca de 54% sofrem de anemia e 44% apresentam baixa estatura, indicadores que reflectem privações acumuladas desde a infância e reforçam a necessidade de intervenções integradas nas áreas de saúde, nutrição, educação e protecção social.

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