Recursos do Serviço de Saúde, Província de Nampula, 2023/2024
Os recursos do serviço de saúde da Província de Nampula constituem uma dimensão essencial para avaliar a capacidade de resposta do sistema sanitário perante as necessidades da população. Num contexto marcado por elevada densidade demográfica, dispersão territorial, crescimento urbano e forte procura por cuidados materno-infantis, a disponibilidade de unidades sanitárias, hospitais, centros de saúde, camas hospitalares e profissionais de saúde é determinante para garantir o acesso efectivo aos serviços de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico.
A comparação entre 2023 e 2024 permite observar alterações na capacidade instalada e nos recursos humanos do sector. O ligeiro aumento do número de unidades sanitárias e centros de saúde indica expansão gradual da rede de atendimento, enquanto o crescimento do total de camas reforça a capacidade de internamento. Ao mesmo tempo, a evolução do pessoal de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, parteiras e outros profissionais, é fundamental para analisar a cobertura dos serviços, a qualidade do atendimento e a capacidade de resposta às principais necessidades sanitárias da província.
Estes indicadores são particularmente relevantes para a planificação pública, pois permitem identificar necessidades de investimento em infra-estruturas sanitárias, reforço de recursos humanos, melhoria da cobertura territorial e expansão dos serviços especializados. Para Nampula, onde a população jovem, as condições de vulnerabilidade social e os desafios de acesso aos cuidados de saúde exercem pressão sobre o sistema, a análise dos recursos disponíveis ajuda a orientar prioridades de intervenção, reduzir desigualdades no acesso e melhorar a prestação de cuidados às comunidades urbanas e rurais.
| Descrição | 2023 | 2024 | Variação (%) |
| Unidades Sanitárias | 248 | 249 | 0,4 |
| Hospitais | 10 | 10 | 0,0 |
| Centros de Saúde | 220 | 221 | 0,5 |
| Postos de Saúde | 18 | 18 | 0,0 |
| Camas Total | 4 431 | 5 144 | 16,1 |
| Camas Totais Maternidades | 1 469 | 1 325 | -9,8 |
| Outras Camas | 2 962 | 3 819 | 28,9 |
| Pessoal do Serviço de Saúde | 9 788 | 10 488 | 7,2 |
| Médicos | 1 788 | 2 159 | 20,7 |
| Dentistas | 54 | 52 | -3,7 |
| Enfermeiros | 209 | 234 | 12,0 |
| Parteiras | 1 208 | 1 332 | 10,3 |
| Outros | 1 202 | 1 432 | 19,1 |
Fonte: Direcção Provincial da Saúde – Nampula
Principais Indicadores Demográficos, Província de Nampula, 2025
| Descrição | Província | Nacional |
| Taxa de mortalidade infantil (por 1 000 nados-vivos) | 63,4 | 62,8 |
| Esperança de vida à nascença (anos) | 57,3 | 56,5 |
| Homens | 55,5 | 53,6 |
| Mulheres | 59,0 | 59,5 |
| Taxa bruta de mortalidade (por 1 000 habitantes) | 12,4 | 11,7 |
| Taxa bruta de natalidade (por 1 000 habitantes) | 36,3 | 38,5 |
| Taxa global de fecundidade (nº de filhos por mulher) | 4,9 | 4,8 |
Fonte: Instituto Nacional de Estatística, Projecções 2017 – 2050
Notas importantes:
Desafios sociais e de saúde afectam crianças e adolescentes em Nampula
A província de Nampula continua a enfrentar desafios sociais significativos, com impacto directo no bem-estar das crianças, adolescentes e famílias. Dados recentes indicam que cerca de 70% das crianças são afectadas pela pobreza multidimensional, situação que limita o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e nutrição.
O rápido crescimento populacional, a insuficiência de infra-estruturas, os choques climáticos e a expansão urbana desordenada estão entre os factores que agravam a vulnerabilidade das famílias na província. No sector da saúde, Nampula apresenta um dos rácios médico-população mais baixos do país, o que condiciona o acesso regular e atempado aos cuidados de saúde.
Na área materno-infantil, apenas 38% das mulheres grávidas realizam as consultas pré-natais recomendadas, enquanto pouco mais de metade dos partos ocorre com assistência qualificada. A província regista ainda uma taxa elevada de mortalidade infantil, estimada em 72 mortes por mil nascidos vivos, associada a complicações no parto, prematuridade, malária, diarreia e pneumonia.
As principais causas estão relacionadas ao saneamento precário, ao consumo de água insegura, à má nutrição e ao acesso limitado aos serviços de saúde. A situação das adolescentes também preocupa: cerca de 54% sofrem de anemia e 44% apresentam baixa estatura, indicadores que reflectem privações acumuladas desde a infância e reforçam a necessidade de intervenções integradas nas áreas de saúde, nutrição, educação e protecção social.
