Tuesday, July 21, 2026

Agronegócio

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Producao Agrícola (t), Pecuária (Un) Campanhas, 2022/2023 – 2023/24

 Há um desempenho misto da produção agrícola e pecuária em Cabo Delgado entre as campanhas 2022/23 e 2023/24. Nas culturas alimentares, a mandioca registou o maior crescimento, com aumento de 8,05%, seguida do amendoim, com 2,16%, mapira, com 1,14%, e milho, com 0,48%. Em contrapartida, a batata reno reduziu 9,65% e a mexoeira manteve-se praticamente estável, com ligeira queda de 0,05%.

Nas culturas de rendimento, observam-se fortes contrastes: a banana cresceu 595,44%, enquanto o algodão caroço e a castanha de cajú registaram quedas expressivas de 94,95% e 72,82%, respectivamente. No efectivo pecuário, os indicadores mostram estabilidade geral, com ligeiro crescimento do gado bovino e ovino e pequenas reduções no gado caprino e suíno. Estes dados apontam para a necessidade de reforçar a resiliência produtiva, diversificar as culturas de rendimento e consolidar a assistência técnica aos produtores.

Análise comparativa da produção agrícola. A comparação entre as campanhas 2022/23 e 2023/24 mostra que as culturas alimentares tiveram, no geral, desempenho mais estável do que as culturas de rendimento. Entre os alimentos básicos, a mandioca destacou-se como a cultura de maior crescimento, passando de 1 229 073 para 1 328 037 toneladas, o que representa uma variação positiva de 8,05%. Este resultado reforça a sua importância para a segurança alimentar e para a economia rural da província.

O milho, a mapira e o amendoim registaram crescimentos moderados, inferiores a 3%, indicando alguma estabilidade produtiva nas principais culturas alimentares. Em contrapartida, a batata reno apresentou queda de 9,65%, enquanto a mexoeira se manteve praticamente inalterada, com ligeira redução de 0,05%. Estes resultados sugerem que, embora a base alimentar esteja relativamente preservada, há culturas específicas que exigem maior atenção técnica e produtiva.

Nas culturas de rendimento, o comportamento foi mais contrastante. A banana registou um crescimento excepcional, de 329 para 2 288 toneladas, equivalente a 595,44%, sinalizando forte expansão desta cultura. Por outro lado, o algodão caroço caiu 94,95% e a castanha de cajú reduziu 72,82%, quedas que podem afectar o rendimento dos produtores, as cadeias de comercialização e a contribuição destas culturas para a economia local.

Em síntese, a produção agrícola de Cabo Delgado apresenta sinais de resiliência nas culturas alimentares, mas revela vulnerabilidades importantes nas culturas de rendimento tradicionais. A província deve reforçar a assistência técnica, melhorar o acesso a insumos, apoiar a comercialização e promover a diversificação produtiva, de modo a reduzir riscos e aumentar o rendimento dos produtores.

Descrição2022/232023/24Var. (%)
Culturas Alimentares (t)
Milho342 921344 5550,48
Mapira40 75741 2231,14
Mexoeira3 7073 705-0,05
Amendoim23 20123 7012,16
Mandioca1 229 0731 328 0378,05
Batata reno94 89485 732-9,65
Feijão manteiga72 290
Culturas de Rendimento (t)
Algodão caroço8 353422-94,95
Castanha de cajú116 02531 533-72,82
Banana3292 288595,44
Efectivo Pecuário (un)
Gado bovino11 54211 6510,94
Gado caprino558 492558 127-0,07
Gado ovino261 458266 6591,99
Gado suíno74 27874 268-0,01
Aves3 627 712

Fonte: Direção Provincial de Agricultura e Pescas

Produção Pesqueira (ton)

Resumo executivo. A tabela sobre produção pesqueira evidencia fortes variações entre 2023 e 2024 nos principais produtos registados em Cabo Delgado. O peixe apresenta um aumento muito expressivo, passando de 305 para 263 998 toneladas, enquanto o camarão registou uma queda acentuada de 99%, ao reduzir de 23 479 para 277 toneladas.

Outros produtos também registaram reduções, nomeadamente a lagosta, com queda de 10%, e o caranguejo, com redução de 42%. Estes dados apontam para uma dinâmica desigual no sector pesqueiro provincial, combinando expansão significativa na produção de peixe com forte contracção em espécies de maior valor comercial, o que exige atenção à sustentabilidade, monitoria estatística, capacidade de captura, comercialização e gestão dos recursos marinhos.

Análise detalhada da produção pesqueira. A evolução da produção pesqueira em Cabo Delgado entre 2023 e 2024 revela uma alteração profunda na composição dos produtos registados. O peixe apresenta um crescimento excepcional, passando de 305 para 263 998 toneladas, o que representa uma variação de 86 457%. Este aumento coloca o peixe como principal produto da produção pesqueira provincial em 2024, mas também exige atenção à consistência estatística dos registos e à capacidade efectiva de captura, conservação e comercialização.

Em sentido contrário, o camarão registou a maior contracção, ao reduzir de 23 479 para 277 toneladas, equivalente a uma queda de 99%. Esta redução é particularmente relevante por se tratar de um produto de elevado valor comercial, com impacto potencial nas receitas dos operadores, nas exportações, no emprego ligado à cadeia pesqueira e na disponibilidade de matéria-prima para processamento.

A lagosta e o caranguejo também apresentaram desempenho negativo, com reduções de 10% e 42%, respectivamente. Embora a queda da lagosta seja mais moderada, a redução do caranguejo sugere pressão sobre produtos marinhos costeiros e pode estar associada a factores como esforço de pesca, sazonalidade, condições ambientais, acesso aos mercados ou limitações no registo estatístico.

No conjunto, os dados apontam para uma expansão muito concentrada no peixe e uma forte redução em espécies de maior valor económico. Esta dinâmica reforça a necessidade de melhorar a monitoria da produção, fortalecer a fiscalização dos recursos marinhos, apoiar a pesca artesanal e semi-industrial, promover cadeias de frio e conservação, e garantir que o aumento da produção seja compatível com a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros e marinhos.

Produto20232024Var. (%)
Peixe305263 99886 457
Camarão23 479277-99
Lagosta300270-10
Caranguejo196113-42

Fonte: Direção Provincial de Agricutlrua e Pesca, 2024

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