Campanhas agrárias, 2023–2024
Os dados das campanhas agrárias de 2023 e 2024 permitem avaliar a evolução da produção agropecuária na Província de Tete, abrangendo culturas alimentares, culturas de rendimento e efectivos pecuários. A comparação entre os dois anos oferece uma leitura do desempenho produtivo do sector, evidenciando culturas em crescimento, produtos com quebras significativas e áreas que exigem maior atenção em termos de produtividade, segurança alimentar, apoio aos produtores e resiliência face a factores climáticos, económicos e operacionais.
A campanha agrária 2023–2024 revela uma evolução fortemente desigual da produção agropecuária na província de Tete. Os dados mostram uma quebra expressiva em várias culturas alimentares e de rendimento, ao mesmo tempo que alguns produtos específicos e a pecuária registaram crescimento. Esta combinação indica que o sector mantém potencial produtivo relevante, mas enfrenta desafios importantes de produtividade, resiliência climática, acesso a insumos, assistência técnica e capacidade de resposta dos produtores.
Nas culturas alimentares, observam-se reduções muito acentuadas em produtos básicos para a segurança alimentar. O milho, principal cultura alimentar, caiu 65,8%, passando de 1 440 813 toneladas em 2023 para 492 707 toneladas em 2024. A mapira e a mexoeira também registaram quedas superiores a 67%, enquanto o amendoim reduziu-se em 47,6%, a mandioca em 29,2%, o feijão-manteiga em 47,3%, o feijão-nhemba em 54,4% e o feijão-jugo em 59,8%. Estes resultados indicam forte pressão sobre a produção alimentar e podem afectar a disponibilidade de alimentos, os rendimentos das famílias agrícolas e os mercados locais.
Em sentido contrário, a batata-doce de polpa alaranjada registou um crescimento muito expressivo, de 122,9%, passando de 80 206 para 178 795 toneladas. Este desempenho destaca-se como um sinal positivo, sobretudo pelo valor nutricional da cultura e pelo seu potencial para reforçar a segurança alimentar e diversificar a dieta das famílias.
Nas culturas de rendimento, o desempenho também foi misto, mas, predominantemente, negativo. O tabaco caiu 52,9%; o gergelim reduziu 17%, enquanto a soja cresceu 11,8%. A queda do tabaco é relevante, dado o peso histórico desta cultura na economia agrícola de Tete e no rendimento de muitos produtores. O crescimento da soja, por outro lado, sugere uma oportunidade de diversificação produtiva e de maior integração às cadeias de valor agroindustriais.
A pecuária apresentou um comportamento mais estável e positivo. O gado bovino aumentou 3,3%, o caprino 3,2%, o ovino 16,1% e o suíno 7,1%. Este crescimento indica a resiliência relativa do subsector pecuário e reforça o seu papel como fonte de rendimento, de poupança familiar, de segurança alimentar e de dinamização económica nas zonas rurais.
Em síntese, a campanha agrária evidencia um contraste importante: queda acentuada da produção agrícola alimentar e de rendimento, mas crescimento da pecuária e de algumas culturas específicas. Para a Província de Tete, isto aponta para a necessidade de reforçar a assistência técnica, melhorar o acesso a sementes e insumos, expandir os sistemas de irrigação, promover práticas agrícolas resilientes ao clima, diversificar culturas e fortalecer as cadeias de valor com maior capacidade de gerar rendimento para os produtores.
Resumo executivo — Campanha agrária 2023–2024
A campanha agrária de 2023–2024 registrou um desempenho muito desigual na província de Tete. A produção agrícola registou quebras acentuadas em várias culturas alimentares e de rendimento, enquanto a pecuária manteve uma evolução positiva e algumas culturas específicas, como a batata-doce de polpa alaranjada e a soja, apresentaram crescimento.
Nas culturas alimentares, as maiores reduções ocorreram no milho, mapira, mexoeira, feijões, amendoim e mandioca, com impacto potencial na segurança alimentar, nos rendimentos das famílias agrícolas e na disponibilidade de produtos nos mercados locais. Em contraste, a batata-doce de polpa alaranjada cresceu de forma expressiva, reforçando seu potencial como cultura estratégica para a diversificação alimentar e a melhoria nutricional.
Nas culturas de rendimento, o tabaco registou uma queda significativa, o que pode afectar os rendimentos dos produtores e a dinâmica económica rural. O gergelim também reduziu, enquanto a soja apresentou crescimento, sinalizando uma oportunidade de diversificação produtiva e de integração com as cadeias agroindustriais.
A pecuária mostrou maior resiliência, com crescimento nos efectivos de bovinos, caprinos, ovinos e suínos. Este desempenho reforça o papel da criação animal como fonte de rendimento, poupança, segurança alimentar e estabilidade económica para os agregados rurais.
Em termos estratégicos, a campanha evidencia a necessidade de reforçar a produtividade agrícola, reduzir a vulnerabilidade climática e diversificar as fontes de rendimento rural. As prioridades devem incluir maior acesso a sementes melhoradas e insumos, expansão da irrigação, assistência técnica aos produtores, promoção de culturas resilientes, fortalecimento da pecuária e desenvolvimento de cadeias de valor com maior capacidade de gerar renda local.
| Produção (t) | 2023 | 2024 | Var (%) |
| Culturas alimentares | |||
| Milho | 1 440 813 | 492 707 | -65,8 |
| Mapira | 112 951 | 36 505 | -67,7 |
| Mexoeira | 77 256 | 24 425 | -68,4 |
| Oleaginosa (amendoim) | 50 517 | 26 473 | -47,6 |
| Mandioca | 151 296 | 107 081 | -29,2 |
| Batata-doce de polpa alaranjada | 80 206 | 178 795 | 122,9 |
| Feijão-manteiga | 233 874 | 113 368 | -47,3 |
| Feijão-nhemba | 48 798 | 22 247 | -54,4 |
| Feijão-jugo | 82 | 33 | -59,8 |
| Culturas de rendimento | |||
| Tabaco | 89 540 | 42 125 | -52,9 |
| Gergelim | 54 047 | 44 846 | -17 |
| Soja | 20 054 | 22 418 | 11,8 |
| Pecuária (Unid.) | |||
| Gado bovino | 404 737 | 417 911 | 3,3 |
| Gado caprino | 528 854 | 545 829 | 3,2 |
| Gado ovino | 24 043 | 27 905 | 16,1 |
| Gado suíno | 163 942 | 175 607 | 7,1 |
Fonte: Direcção Provincial de Agricultura e Pescas
Produção pesqueira (t), 2023–2024
A produção pesqueira de 2023 e 2024 permite acompanhar a evolução das principais espécies registadas na Província de Tete, com destaque para a kapenta e a tilápia. A comparação entre os dois anos evidencia crescimento expressivo nos produtos com dados disponíveis, enquanto a ausência de informação para a categoria “Outros” em 2024 limita a leitura completa do desempenho do subsector. Estes dados são relevantes para avaliar o contributo da pesca para a segurança alimentar, o rendimento das comunidades pesqueiras e a dinamização das cadeias locais de produção, comercialização e abastecimento.
Recomendações para políticas públicas: A evolução da produção pesqueira recomenda uma intervenção pública orientada a consolidar o crescimento da kapenta e da tilápia, aprimorar a gestão sustentável dos recursos e o rendimento das comunidades pesqueiras. É prioritário fortalecer a assistência técnica aos pescadores e aquicultores, promover boas práticas de captura, conservação e processamento e melhorar as condições de armazenamento, transporte e comercialização do pescado. A expansão da produção deve ser acompanhada de medidas de sustentabilidade ambiental, fiscalização adequada e monitoramento dos ecossistemas aquáticos, de modo a evitar pressão excessiva sobre os recursos. Recomenda-se ainda apoiar a organização das associações de pescadores, facilitar o acesso a equipamentos, crédito e mercados, e reforçar a recolha de dados estatísticos, sobretudo para categorias com informação incompleta, como “Outros”, garantindo decisões públicas baseadas em informação actual, completa e comparável.
Resumo executivo das recomendações — Produção pesqueira
- Consolidar o crescimento da kapenta e da tilápia, garantindo que o aumento da produção se traduza em maior segurança alimentar, rendimento das comunidades pesqueiras e dinamização dos mercados locais.
- Reforçar a assistência técnica a pescadores e aquicultores, promovendo boas práticas de captura, produção, conservação, processamento e gestão sustentável dos recursos.
- Melhorar as condições de armazenamento, transporte e comercialização, reduzindo as perdas pós-captura e aumentando o valor económico do pescado ao longo da cadeia.
- Assegurar a sustentabilidade ambiental, com fiscalização adequada, monitorização dos ecossistemas aquáticos e controlo da pressão sobre os recursos pesqueiros.
- Fortalecer as associações de pescadores, facilitando o acesso a equipamentos, crédito, formação, mercados e mecanismos de organização produtiva.
- Aprimorar a recolha e a qualidade dos dados estatísticos, especialmente nas categorias com informação incompleta, como “Outros”, para apoiar decisões públicas baseadas em evidências.
| Produção pesqueira | 2023 | 2024 | Var (%) |
| Kapenta | 4 981 | 8 568 | 72 |
| Tilápia | 11 348 | 38 909 | >100 |
| Outros | 21 735 | … | … |
Fonte: Direcção Provincial de Agricultura e Pescas; … dado não disponível à data de publicação.
